A humanidade no coração de Deus

A humanidade no coração de Deus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Omelia- 28 maggio 2017

Letture: Act 1, 1-11; Sal 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9; Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20 

 

Solenidade da Ascensão do Senhor

 

Ao celebrarmos hoje a solenidade da Ascensão do Senhor, somos convidados a reconhecer que a nossa humanidade, criada do amor de Deus, é colocada definitivamente no coração de Deus e portanto em comunhão plena com Ele.

Deste modo, a Palavra de Deus que hoje aqui nos foi proclamada, diz-nos que a Ascensão não significa a separação infinita entre Deus e nós, antes, proclama essa misteriosa vontade do Pai de nos unir plenamente a Ele: em Jesus Cristo, o Kyrios, pela Sua vida, paixão, morte, descida à mansão dos mortos, ressurreição e ascensão percebemos e podemos viver a esperança a que fomos chamados e participar da herança que nos é destinada. Mas, ao mesmo tempo, nesta misteriosa vontade do Pai para a vida de cada um de nós, podemos saborear a beleza do alto onde Jesus Cristo se encontra à direita do Pai e que é ainda mais bela que aquela que nos é dado viver neste mundo.

É esta Vida de Cristo que somos desafiados a deixar penetrar a nossa vida.

Cristo deu o mandato aos seus discípulos de ir e percorrer os caminhos do mundo até aos seus confins. Por causa da resposta que foi dada a esse mandato, fomos encontrados por esta Palavra e vida de Jesus Cristo na qual fomos ensinados, e que dá um sentido novo às nossas vidas. No cumprimento deste mandato, fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E isto muda tudo na nossa vida:

- Deus não é já para nós aquele cujo nome nem sequer podemos pronunciar e que nos poderia fazer sentir pequenas criaturas indiferentes para Deus e perdidos na história. Deus é antes aquele a quem aprendemos, em Jesus Cristo, a tratar por Pai.

- Elevados à dignidade de filhos em Jesus Cristo, o primogénito do Pai, somos Seus irmãos. Podemos, por isso, contar sempre com aquele amor do Filho de Deus que olha e acolhe a mulher adúltera e que nos diz que somos bem-aventurados, mesmo quando não somos perfeitos, ricos ou sobredotados. Somos bem-aventurados simplesmente porque somos seus irmãos, filhos do mesmo Pai. Eis o paradoxo da riqueza da nossa pobreza.

- Deus é, por isso, presença próxima e permanente na nossa vida. Na primeira leitura, Cristo eleva-se aos olhos dos seus discípulos e uma nuvem esconde-o aos seus olhos. Mas se a nuvem esconde, ela é ao mesmo tempo sinal da presença real e proximidade de Deus que se concretiza pela comunidade que tem em Cristo a cabeça, pela Palavra, pelos Sacramentos e ainda por tudo aquilo que Ele, pelo seu Espírito, faz na vida e história pessoal de cada um de nós.

Hoje, podemos reconhecer a nossa dignidade de Filhos de Deus e confiadamente escancarar as portas dos nossos túmulos de pecado, de fragilidade, de medos ao amor de Deus. O medo é a antítese da Liberdade e só na liberdade Deus nos ressuscita. Por tudo isto, deixo duas perguntas para a nossa reflexão:

- Estou disponível para deixar que Cristo possa entrar nos túmulos do meu pecado, fragilidades e medos?

- O mandato de Cristo para ir, ensinar, batizar, isto é, ser Sua testemunha, tem espaço no quotidiano do meu viver?

A eficácia poderosa força do Pai que ressuscitou o Seu filho dos mortos nos dê o Seu Espírito de sabedoria e nos plenifique da Vida de Cristo.

 

In lingua italiana: 

 

Oggi si celebra la solennità dell'Ascensione di Gesù Cristo, e siamo invitati a riconoscere che la nostra umanità, creata dall'amore di Dio, è posta definitivamente nel cuore di Dio e quindi in piena comunione con lui.

È la vita di Cristo in qui siamo sfidati a lasciar penetrare la nostra prpria vita.

Cristo ha dato il mandato ai suoi discepoli di andare e percorrere le strade del mondo sino alla fine. A causa della risposta che è stata data a questo mandato, ci siamo stati trovati da questa parola e vita di Gesù Cristo, nella qual siamo stati insegnati, e dà un nuovo significato alla nostra vita. Nel adempiere questo mandato, siamo stati battezzati nel nome del Padre, del Figlio e dello Spirito Santo. E questo cambia tutto nella nostra vita:

- Dio non è più per noi quello nome che non possiamo nemmeno pronunciare in cui potrebe fare sentirci piccole creature indifferenti per Dio e persi nella storia. Dio è quello che, in Gesù Cristo, impariamo a chiamare, Padre.

- Elevati alla dignità di figli in Gesù Cristo, il primogenito del Padre, noi siamo i Suoi fratelli. Possiamo, quindi, sempre contare con il suo amore di Figlio di Dio, che guarda ed accoglie l'adultera, e che ci dice che siamo benedetti, anche quando non siamo perfetti, ricchi o portatore di grandi talenti. Noi siamo benedetti semplicemente perché siamo suoi fratelli, figli dello stesso Padre. Questo è il paradosso della ricchezza della nostra povertà.

- Dio è così vicino e presenza permanente nella nostra vita. Nella prima lettura, Cristo si è innalzato agli occhi dei suoi discepoli e una nube lo nasconde dei loro occhi. Ma se la nube lo nasconde, è allo stesso tempo segno della presenza reale e vicina di Dio che si concretiza per la comunità che ha Cristo come suo capo, attraverso la Parola, i sacramenti e ancora per tutto quello che, dal suo Spirito, fa nella vita e nella storia personale di ognuno di noi.

Oggi, possiamo riconoscere la nostra dignità di figli di Dio e con fiducia spalancare, all'amore di Dio, le porte delle nostre tombe di peccato, fragilità e paure. La paura è l'antitesi della libertà e solo nella libertà Dio ci rissuscita. Per tutto questo, lascio due domande per la nostra riflessione:

- Sono disponibile per lasciare Cristo entrare nelle tombe dei miei peccati, debolezze e paure?

- Il mandato di Cristo di andare, insegnare, battezzare, cioè, di essere sua testimone, ha spazio nella mia vita di tutti i giorni?

La potente efficacia della forza del Padre che ha risuscitato il suo Figlio dai morti, ci doni il Suo Spirito di sapienza e ci riempia della vita di Cristo.

 

 

                                        P. Francisco Melo